Algumas dicas de HQs adquiridas na CCXP 2019

E encerrou-se a Comic Con Experience 2019, talvez o maior evento de cultura pop da América Latina. Certamente existem outros que agrupam fãs e artistas em todo o país, mas acho difícil que algum alcance a importância ou mesmo a abrangência da CCXP, que sempre ocorre em São Paulo. Estive lá no sábado, 07/12, e já havia feito um planejamento do que gostaria de fazer, dos artistas de que queria pegar autógrafo e possíveis estandes aos quais tinha vontade de ir.

Dediquei pelo menos duas horas de evento para passear no Artist’s Alley, uma das atrações mais legais da Comic Con. Nele, diversos ilustradores e roteiristas dedicam seu tempo a receber os fãs, vender seus trabalhos e autografá-los, além de permitirem fotos e conversas bem rapidinhas. Andando por lá, pude perceber que a produção brasileira de quadrinhos está numa crescente impressionante. Em todo o país há artistas produzindo e escrevendo obras para a mídia quadrinhos, e isso vem chamando a atenção dos leitores, ainda que haja muito chão a percorrer para que alguns obtenham seu merecido reconhecimento.

Dessa forma, nesta postagem vou indicar três obras distintas de artistas brasileiros que expuseram seus trabalhos na CCXP. O critério de escolha baseou-se apenas em minha percepção pessoal das obras; algumas outras ficaram de fora apenas para evitar uma publicação muito extensa, mas elas podem receber atenção especial em um outro post. Ademais, não farei resenha nem descreverei detalhes dos quadrinhos listados. Vamos lá?

1. Como falar com garotas em festas, de Fábio Moon e Gabriel Bá

Esses dois rapazes, na minha opinião, são os artistas mais inventivos do quadrinho nacional. Ganhadores do Prêmio Eisner por Daytripper, HQ que saiu pela Panini Comics (uma das raras, bom que se diga), os irmãos Moon e Bá, aqui, adaptam um conto de Neil Gaiman (autor de Sandman e Mitologia Nórdica) chamado How to talk girls at parties. Trata-se, sem dúvidas, de um dos quadrinhos mais bonitos que eu já li até hoje.

moon ba

A história saiu pelo selo Quadrinhos na Cia., da Companhia da Letras, por meio do qual os irmãos Moon e Bá também publicaram Dois irmãos, adaptação para quadrinhos do romance de Milton Hatoum de mesmo nome.

De modo geral, Como falar com garotas em festas descreve um cenário de efervescência cultural e social da Londres dos anos 1970, no qual os amigos Vic e Enn vão a uma festa para tentar se dar bem com as garotas. Não precisa ser um gênio para entender que o tiro saiu pela culatra ao longo da história.

O traço aquarelado e as cores vivas ressaltam ainda mais o caráter onírico da obra. Certamente qualquer rapaz tímido que teve dificuldade com as garotas na adolescência vai se identificar.

2. Tina: respeito, de Fefê Torquato

O quadrinho de Fefê causou rebuliço antes mesmo de ser lançado. Infelizmente, ainda existem adeptos das histórias em quadrinhos que guardam um conservadorismo muito prejudicial a esse universo; assim, não foram poucos os comentários machistas e preconceituosos que vieram à tona sem que a Respeito chegasse às lojas.

Tina: respeito saiu pelo selo Graphic MSP, um selo de graphic novels da Maurício de Sousa Produções, destinado especialmente ao público jovem e adulto que lia os gibis da Turma da Mônica na infância. Trata-se de uma história e de um tema bastante atuais e relevantes para os tempos de hoje, visto que versa a respeito de assédio no universo corporativo.

Tina

Talvez o “incômodo” tenha advindo dessa temática escolhida por Fefê; muitos julgaram a obra como tentativa barata de “lacração” apenas para vender, o que é uma bobagem sem tamanho. Pude conversar rapidamente com a autora na CCXP; perguntei a ela o que achava da polêmica surgida de seu quadrinho, e ela respondeu que, depois do lançamento, só recebeu elogios e congratulações pela obra publicada.

3. Found footage, de Marvin Rodriguez

Esse é, de longe, o quadrinho mais criativo que adquiri na Comic Con. No formato e tamanho de uma fita cassete, Found footage já ganha o leitor antes mesmo que ele o tenha nas mãos. O aspecto visual da capa e da contracapa despertam de imediato a curiosidade, que é aguçada mais ainda já nas primeiras páginas do quadrinho.

found footage

O enredo de Found Footage, na verdade, tinha sido pensado pelo Marvin como um roteiro de curta-metragem, mas acabou virando uma HQ com bastante suspense e que emula muito bem esse subgênero de filme de terror (nas palavras de Getro Guimarães num prefácio à obra, “‘found footage’ é aquele tipo de produção apresentada como gravações encontradas, descoberta depois de algum evento assustador.”).

Para quem financiou a obra no Catarse, haveria alguns mimos disponibilizados pelo autor. Um deles era uma caixinha na qual se guardavam as antigas fitas cassetes, o que acentua ainda mais o caráter transmidiático da obra. Vale dar uma boa espiada, mas não faça isso antes de dormir.

 

 

Um comentário sobre “Algumas dicas de HQs adquiridas na CCXP 2019

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s