Por Lugares Incríveis: principais diferenças entre o livro e o filme

Contém Spoilers

O filme Por Lugares Incríveis, roteirizado por Liz Hannah e dirigido por Brett Haley, é baseado no livro, com o mesmo título, de Jennifer Niven. Ambos contam a história de dois adolescentes que, ao passarem por situações muito difíceis, precisam escolher como vão lidar com as consequências que essas circunstâncias apresentam nas suas vidas.

Na obra, somos apresentados a Theodore Finch e Violet Markey de uma maneira  um tanto diferente da convencional de outros filmes e livros. No livro, Finch começa indagando se aquele dia seria um bom dia para morrer, enquanto percebe ter subido na Torre do Sino da escola e não se lembrar de como chegou até lá, porém ao olhar ao redor repara que não está sozinho.

Do outro lado da minúscula Torre do Sino encontra-se Violet Markey, uma menina popular que havia perdido a irmã, morta num acidente de carro. Theodore finge que Violet estava lá em cima para evitar que ele pulasse, o que cria uma fama de heroína para a garota e um certo companheirismo entre eles. 

No filme, temos essa cena visualmente modificada, mas que expressa o mesmo sentimento. Finch está correndo e acaba encontrando Violet em cima do parapeito da ponte, onde ocorreu o acidente de carro que matou sua irmã. Ele tenta brincar com a situação para tentar fazer com que a menina desça do local, chegando até subir no parapeito ao seu lado, o que faz com que Violet desista do que ia fazer.

Após esse “primeiro encontro” nas obras, em circunstâncias diferentes, Finch faz uma pergunta para Violet que se torna o tema principal da trama : “Você acha que existe um dia perfeito?”.

Dito isso, cabe ressaltar a belíssima forma que a película vai desenvolvendo, aos poucos, a busca do dia perfeito pelos personagens principais. Tal jornada, só foi possível por causa de um projeto de geografia, que tinha como objetivo a visitação de diversos pontos interessantes de Indiana.

A partir disso, os telespectadores são permitidos a ver Violet finalmente seguir em frente após a morte de sua irmã, circunstância mostrada de uma forma mais discreta. Igualmente como quando ela volta a entrar em um carro e consegue dirigir, quando volta a escrever e resolve se candidatar a uma faculdade em Nova Iorque ou até mesmo quando se permite criar novos laços com pessoas.

No entanto, o mesmo não ocorreu com Theodore Finch, que não recebeu no filme sua devida atenção. No livro, Finch é um personagem muito elaborado que é retratado como um garoto que não consegue se encaixar na sociedade por diversos fatores, sendo eles: sua infância conturbada com seu pai abusivo; ser considerado uma aberração no seu colégio por não parecer “normal”;

Sua mãe que tenta ser o mais presente possível, mas falha por ter que trabalhar muito mais desde que seu pai os abandonou; as diversas personalidades que ele inventa; seus apagões frequentes que o fazem só dormir por semanas e a nova fama que ganhou depois de salvar Violet na Torre do Sino.

Além desses fatores, Finch mostra, desde o início da narrativa, por meio de passagens no livro, que queria cometer suicídio, enumerando diversas formas de acabar com sua vida; No decorrer do livro, esses pensamentos aparecem menos, o que faz com que o leitor tenha uma falsa impressão de que o personagem tenha melhorado. 

Portanto, o livro faz com que você crie uma afeição extremamente forte com Theodore e isso torna os últimos capítulos tensos, pois estávamos tão acostumados a vê-lo ajudando Violet a se recuperar que nem percebemos que ele já estava perdido. Outro aspecto muito importante é que, antes de morrer, Finch escreveu cartas para as pessoas que amava e deixou circulado em um mapa novos lugares para que Violet visitasse, com o intuito de que eles tenham um último momento “juntos”.

O filme, por sua vez, falha miseravelmente na representação do personagem, pois ele retrata Finch como um ser que está ali presente para ajudar Violet e que não possui uma vida própria. Somente no final do longa que os seus problemas são abordados, mas essa abordagem é feita de forma rápida e um tanto jogada. Esses fatores contribuíram para que o público se emocionasse mais com a reação da Violet nessa situação do que com Finch, tudo isso devido a falta de maior perspectiva da situação de Theodore.

Por mais que o personagem não tenha sido adaptado de uma forma mais profunda, o filme não deixa de ser excelente. Nele podemos ver como as relações que formamos e as pequenas coisas na vida são de extrema importância e que podem nos ajudar a superar obstáculos e momentos difíceis.

Então, assim como o livro, é uma obra que vale a pena ser vista devido aos valores que podem ser agregados ao nosso dia a dia, nos permitindo compreender melhor pessoas que tiveram que passar por situações inimagináveis que nem Violet e Finch e até nos motiva a viver novas experiências, afinal, “É tão adorável ser adorado”.

 

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