Crítica | Bom dia, Verônica mostra o que acontece quando o machismo chega ao ápice

Bom Dia, Verônica foi lançada esse mês no catálogo da Netflix e já está gerando bastante repercussão pelas discussões que levanta. A série, que foi baseada no livro de mesmo nome dos autores Llana Casoy (especialista em serial kilers) e Raphael Montes (escritor de suspense) só que publicado sob o pseudônimo Andrea Kilmore, é mais uma grande aposta de produção nacional pra Netflix. 

Capa do livro publicado pela editora Darkside.

A trama começa quando a escrivã de uma delegacia de homicídios chamada Verônica Torres (interpretada pela Tainá Muller) vê uma mulher se matar na frente dela após sair da sala do delegado sem conseguir o atendimento devido. Antes de dar um tiro na própria cabeça, ela diz suas últimas palavras: “NÃO EXISTE AMOR IDEAL”. 

Verônica, que no fundo era muito mais do que “apenas” uma escrivã, fica chocada e comovida com a cena e vai logo questionar seu superior sobre o ocorrido. O homem responde que a suicida tinha sido enganada por um malandro que ela conheceu num aplicativo de relacionamento, mas não dá muita importância ao caso. Ele não queria que ninguém de fora soubesse o que aconteceu ali e pede para todos os funcionários manterem aquilo em sigilo. 

Só que Verônica, inconformada com a situação, além de  relatar o que houve pra imprensa, também passa seu número para as mulheres que estiverem sofrendo qualquer tipo de abuso ou violência ligarem pra denunciar. 

Diante disso e do vazamento da tragédia nos meios de comunicação, a história se inicia.

Sociedade patriarcal = Machismo + Misoginia + Relacionamento abusivo + Violência contra a mulher (física e/ou psicológica)

Bom dia, Verônica é uma série importante tanto para as mulheres quanto para os homens, apesar do público feminino provavelmente se interessar mais pelas temáticas envolvidas nela. O enredo mostra como a cultura machista é prejudicial para a sociedade como um todo e como isso pode vir a afetar a vida de mulheres, chegando a ponto de levá-las à morte. 

A série mostra os desdobramentos de duas investigações nas quais o machismo impera. A primeira é sobre o caso da mulher que se suicidou no primeiro episódio, onde descobre-se que o criminoso ataca mulheres com baixa autoestima e em busca do amor ideal. Todas as vítimas tiveram problemas com o próprio peso no passado e por isso, aderiram à cirurgia bariátrica. 

A vítima que tirou a própria vida na delegacia tinha sido trocada pelo namorado faltando apenas um mês pro casamento. Detalhe: a mulher por quem ele a trocou era bem mais jovem e magra. Por isso, ela achou que a culpa do que aconteceu era dela e portanto, precisava emagrecer o mais rápido possível. Fez bariátrica, começou a se cuidar mais e criou um perfil num aplicativo de relacionamento cujo nome soa cruel e irônico ao mesmo tempo; “Amor Ideal” (o que explica suas palavras finais). 

A protagonista Verônica (Tainá Muller)

Achando que iria dar a volta por cima e ter uma nova chance de amar e ser correspondida, a pobre mulher marcou um encontro com um cara que ela conversava pelo app. Tudo levava a crer que ele era o homem perfeito. Ou pelo menos, era o que ela queria acreditar. Só que mais uma vez ela foi decepcionada. Dessa vez, de uma forma bem pior. 

O cara, na verdade, usava o aplicativo pra poder encontrar possíveis vítimas. Seu alvo eram mulheres sozinhas, que tinham sofrido alguma desilusão amorosa recente, causada principalmente por suas aparências. Ele se aproveitava da solidão e carência dessas mulheres para seduzi-las e se aproveitar delas. 

Seu objetivo era dopá-las com uma espécie de boa noite Cinderela a fim de fotografá-las nuas para vender para homens tão doentes quanto ele. Além disso, a substância que ele colocava na bebida delas continha um ácido que fazia com que a boca delas ficasse ferida pra sempre. Era uma forma dele marcar suas vítimas como se fosse um gado, o gado DELE. Dessa forma, ele sentia que tinha a posse delas, como se elas estivessem ligadas a ele eternamente. Sempre que elas se olhassem no espelho, lembrariam dele. 

Verônica (Tainá Muller) e vítima de golpista em cena da série.

E sabendo que todas eram mulheres com problemas com a própria aparência, esse era o jeito dele danificar ainda mais a visão que elas tinham delas mesmas. Uma maneira delas se odiarem ainda mais como se a culpa tivesse sido delas o tempo todo. Tanto pelo que aconteceu com elas no passado, quanto no presente. 

Pra tornar mais claro as intenções do criminoso, a série revela outra informação sobre seu modo de agir. Ele colecionava sapatos de suas vítimas, como se fossem troféus. Da mesma forma que ele não queria que elas esquecessem dele, ele também não podia esquecê-las. Necessitava guardar recordações delas para sempre se lembrar do poder que exercia sobre elas. O que lembra muito personagens como Dexter e o Joe do You, com a exceção que o Dexter não tinha como alvo mulheres, mas sim, criminosos em geral. Somente criminosos

A questão do sapato também é interessante de se observar. Por que colecionar justamente sapatos das vítimas? Será que tem a ver com a história da Cinderela e com o desejo de encontrar o príncipe encantado que as mulheres que cruzavam o caminho dele tinham? Mais uma forma de debochar das vítimas e do que elas sonhavam encontrar? 

A importância do ato de denunciar X As dificuldades que as mulheres encontram ao procurarem ajuda da justiça

Verônica (Tainá Muller) fotografando as marcas de agressão no corpo de Janete (Camila Morgado) em cena da série.

Uma tecla que a série bate bastante e é importante que se bata mesmo é a necessidade da denúncia em qualquer tipo de situação (é claro), mas principalmente em casos de violência contra a mulher como os que são mostrados em Bom dia, Verônica, e também, os empecilhos que a justiça coloca às mulheres que buscam sua ajuda. 

Denunciar é uma tentativa (pelo menos) de impedir que o que aconteceu com uma volte a se repetir com outra até de uma forma mais grave. Só que pra isso é necessário que a pessoa responsável por ouvir a denúncia esteja realmente preparada pra exercer essa função. Afinal, muitas vítimas demoram até tomar coragem pra ir numa delegacia prestar queixa justamente por terem medo de serem julgadas. Elas já estão se sentindo culpadas e inferior por algo que o outro fez com elas, então, tudo que elas não precisam é de mais gente as culpando e menosprezando. 

Portanto, é crucial ter empatia pra se colocar no lugar delas, sem preconceitos ou julgamentos morais. Tem que saber ouvir sem questionar o tipo de roupa, maquiagem, comportamento, linguajar ou estilo de vida da vítima. Até porque, nenhum desses fatores justifica um crime. Nenhum. 

Já na primeira cena da série é mostrado o que uma má conduta na hora de receber a denúncia pode fazer com o emocional da vítima. Se o delegado tivesse agido de outra forma, talvez aquela mulher não tivesse se matado. Uma vida teria sido poupada se a ação das autoridades fosse mais útil, confiável e empática. 

Outro ponto importante que a série toca é o comportamento das próprias mulheres em relação às vítimas de violência de gênero. Na trama tem uma delegada que descredibiliza o discurso de outras mulheres por achar que a culpa do que aconteceu é delas mesmas. Pra ela, as vítimas que foram idiotas por permitirem (isso mesmo, você leu certo!) serem enganadas por um cara que conheceu na internet. Segundo ela, isso jamais aconteceria com ela, pois ela nunca cairia no papo de um golpista. Até porque, ela tem a plena convicção de que não é igual às outras mulheres. Ela acredita que não corre perigo por não ser carente como as outras e até mesmo questiona a roupa que as vítimas estavam vestindo no dia do encontro com o criminoso. Isso prova que até as mulheres não têm empatia uma com as outras. 

Verônica (Tainá Muller) e a delegada Anita (Elisa Volpatto) em cena da série.

Na sociedade patriarcal que vivemos, isto é, nesse sistema social no qual o homem detém a liderança e privilégio em todos os aspectos que regem a vida, é comum as mulheres se submeterem à ideias machistas e até tê-las como corretas. É difícil ficar imune a algo que toda uma sociedade defende e reforça diariamente desde sempre. Por isso, comportamento como os da delegada Anita (Elisa Volpatto) em Bom Dia, Verônica é compreensível, apesar de revoltante de assistir. O que não deixa de ser bom, já que se causa incômodo, é porque tem algo de muito errado ali que precisa ser visto de uma vez por todas, e esse é justamente o propósito da série, acredito eu. Incomodar pra transformar

O caso Janete: Quanto mais chocante mais necessário

Janete (Camila Morgado)

O segundo caso investigado por Verônica é o chocante e polêmico caso da Janete (Camila Morgado). Janete é uma mulher que veio do interior para a capital de São Paulo, após se apaixonar um militar. Longe da família, a mulher se casa com o tenente-coronel da PM, Cláudio Brandão (Eduardo Moscovis), um homem extremamente perigoso apesar de ser visto como herói aos olhos da mídia e das autoridades. 

Aos poucos Brandão foi afastando a mulher de todo contato com o mundo externo, incluindo sua família. Janete não podia sequer ter um celular ou ter acesso a internet e apenas saía de casa por dois motivos: ir ao mercado e ajudar o marido a atrair mulheres para serem estupradas e assassinadas por ele. Aliás, essa é única “saída” que eles fazem juntos, sempre que ele chama a mulher pra sair é por esse motivo, o “passeio” de casal deles é apenas esse. 

Conforme vamos assistindo a série descobrimos que o personagem de Du Moscovis além de cometer abuso psicológico e violência doméstica, também é estuprador, serial killer e fanático religioso. O pacote completo de tudo que há de pior em uma única pessoa. 

Jante (Camila Morgado) e o marido Brandão (Du Moscovis) em cena da série.

Ele usa a própria esposa para recrutar suas vítimas, que são todas recém-chegadas do Estado do Maranhão; mulheres jovens que vão pra São Paulo em busca de uma vida melhor, querendo mandar dinheiro para os familiares, com filho pequeno precisando delas. Logo que pisam os pés na rodoviária, elas são abordadas por Janete que diz estar à procura de uma empregada doméstica. Achando que tiraram a sorte grande, as moças aceitam de prontidão a proposta de emprego e seguem Janete até o carro de Brandão, onde ele as leva para um sítio afastado da cidade e as estupra e mata após seguir à risca um ritual religioso envolvendo óleos, desenhos enigmáticos, imagem de santos e uma forma peculiar de prender as vítimas. Ele prende-as em um gancho numa determinada altura cobrindo-as com uma roupa branca que faz menção às asas de um anjo. 

Enquanto isso Janete, que fica vendada durante todo o trajeto até o local do crime, ao chegar lá, é obrigada a colocar uma caixa na cabeça, como se fosse um passarinho (apelido que Brandão dá a ela, inclusive) engaiolado. Ela não era algemada, podia tirar a caixa se quisesse, porém, não era tão simples assim. Brandão sabia que não precisava prendê-la durante o ritual, pois tinha certeza que ela não desobedeceria suas ordens. Janete já estava aprisionada mentalmente, então, a prisão física não era necessária. O terror psicológico que ele causava nela já era grande o suficiente pra ela não ousar tirar a caixa. 

Janete (Camila Morgado) sendo levada vendada por Brandão (Du Moscovis) para o local do crime.

E como todo abusador e serial killer, o comportamento do Brandão só vai piorando com o tempo. Os intervalos entre as mortes vai diminuindo cada vez mais e o pânico e controle que ele exerce sobre a Janete vai ganhando ares mais assustadores. A figura dele passa a ser amedrontadora por si só a ponto do silêncio do cara gerar ainda mais tensão do que falas e ações dele. Dá a sensação que a qualquer momento ele vai atacar e de uma forma muito pior do que antes. 

Embora esse núcleo seja chocante, as discussões que ele levanta sobre relacionamento abusivo e violência doméstica são cruciais para gerar reflexão e conscientizar as mulheres que estiverem passando por esse tipo de situação (mas não sabem que estão) e se sentem impotentes para tomar uma atitude. Funciona como um alerta pra esses casos. 

Janete recrutando a vítima recém-chegada do Maranhão a mando de Brandão.

Brandão tira toda a rede de apoio de Janete. Não permite que ela ligue pra irmã no dia do aniversário dela e nem que ela vá visitar a mãe que está doente. Pra piorar, além de isolá-la, ele ainda coloca ela contra a família dela, dizendo que a irmã só foi procurá-la em busca de dinheiro, faz ela pensar que ninguém se importa com ela além dele e ainda afirma que ela é muito ingênua e por isso, precisa dele para protegê-la do mundo. 

O abuso psicológico que ele tem sobre ela é ainda mais cruel que o físico. Ele vai roubando a autoestima e amor próprio dela e ferindo sua autonomia. Aos poucos ele vai fazendo ela perder a própria identidade como se não se reconhecesse mais e as grades ao redor dela vão aumentando. Brandão passa a colocar câmeras em todos os cômodos da casa pra vigiar o que a mulher faz o dia inteiro enquanto ele está fora e, a trancar a casa com cadeado para castigá-la por não ter cumprido suas ordens. Nesse momento, o apelido “passarinho” se faz ainda mais forte. A partir daí, Janete estava literalmente presa na gaiola construída por Brandão, se tornando oficialmente seu animal de estimação humano. 

Janete (Camila Morgado) em cena de Bom dia, Verônica.

Corrupção e abuso de poder

Verônica (Tainá Muller) confrontando o delegado Carvana (Antônio Grassi) em cena da série

Como quase toda produção brasileira, essa também precisava abordar a corrupção existente entre as figuras de autoridade. Afinal, se tem uma coisa que Bom dia, Verônica é do início ao fim é realista. Não tem vergonha de expor toda a podridão do ser humano. 

Na trama, existe uma fundação chamada de São Cosme e Damião, que funcionava como orfanato para crianças sem lar. Só que era muito mais do que isso. 

O lugar também servia como treinamento para o crime numa espécie de sociedade secreta que ali era mantida. Os menores que cresceram lá se tornaram adultos infiltrados em várias esferas do poder. Tem juízes, delegados, militares, políticos, etc. Tanto a Anita quanto o Brandão foram criados nesse local. Ou seja, Verônica estava cercada de inimigos e não fazia ideia disso. Nem o delegado-geral era confiável. 

Verônica: Uma anti-heroína brasileira?

Verônica (Tainá Muller)

A história de Verônica se assemelha muito às de super-heróis e anti-heróis do universo dos quadrinhos. Como a maioria deles, ela também carrega um passado traumático que dita suas escolhas no presente e futuro.

Quando mais nova, uma tragédia ocorreu em sua família. Seu pai foi acusado de corrupção, matou sua mãe e depois tentou se matar, porém sobreviveu. Conforme o decorrer da série, Verônica percebe que as coisas podem não ter sido bem assim e que tem muita coisa sobre essa história que ela não sabe.

Tendo o pai como grande inspiração, Verônica desejava entrar pra polícia desde criança. Seu objetivo sempre foi se tornar delegada, mas devido ao desastre familiar, ela acaba deixando o concurso pra delegada de lado e vira escrivã na mesma delegacia de homicídios que o pai dela trabalhava. 

A protagonista mostra ser uma justiceira ao longo de toda a série, o que muda é a forma dela enxergar a justiça durante o caminho. No início ela tenta recorrer à lei para fazer o certo, mas cada vez mais nota que fazer justiça no Brasil não era tão simples como ela imaginava, até porque, como já foi dito, as próprias autoridades não estão do lado das vítimas. Diante disso, Verônica entende que se não pode contar com a lei para punir criminosos e proteger suas vítimas, então, a solução é fazer justiça à sua própria maneira. 

Inclusive, esse final da série lembrou muito a série Dexter (com suas diferenças, é claro). Será que se tiver uma segunda temporada, veremos Verônica se transformar ainda mais numa espécie de Dexter versão feminina?

Pequenos atos feministas por todo lugar

Verônica (Tainá Muller) com o marido e os dois filhos em cena da série.

Bom dia, Verônica coloca o feminismo em pauta de várias formas, por meio de detalhes sutis e também de forma escancarada. A própria premissa já antecede que veremos uma série onde o discurso feminista reina. Afinal de contas, estamos assistindo uma história com uma protagonista feminina forte (já começa por aí) que tem como missão lutar contra o machismo do sistema no qual está envolvida para poder ajudar mulheres que são vítimas de violência física e psicológica causada por homens que esse mesmo sistema favorece. 

Mas, tirando essas questões mais pesadas que a trama discute, onde o caso Janete e Brandão grita com todas as letras e praticamente explode na nossa cara o que acontece quando o machismo chega em seu ápice, tem também cenas mais “leves” cuja temática do feminismo também é posta em pauta mesmo que de maneira mais amena. 

Um bom exemplo disso é quando a filha da Verônica sofre bullying por causa do corpo e por isso desiste de fazer natação. Ao ser questionada pela mãe sobre quem estava rindo dela, a menina responde que era os amigos de seu irmão e que o garoto não fez nada para defendê-la. Verônica chateada com a falta de atitude do filho, proíbe ele de participar da aula também. Diante disso, o marido da escrivã diz que ela foi radical demais e que a filha precisa aprender a se defender. 

Eis que Verônica fala: ” ah, claro! A culpa é sempre da mulher, né?”, apontando que o machismo está tão enraizado em nossa sociedade que às vezes é até difícil perceber o quanto somos machistas no dia-a-dia. Até mesmo homens bem-intencionados como o marido de Verônica podem sem querer cair num discurso machista se não tomar cuidado. 

A filha da Verônica tinha problema com excesso de peso, mas a mãe tenta mostrar pra ela o quanto ela é linda do seu jeito, sem precisar mudar pra se enquadrar num padrão. Isso é importante para que a menina cresça com uma boa autoestima, sem se sentir inferior por sua aparência. 

Talvez por ter acompanhado o caso das mulheres que fizeram bariátrica e foram iludidas pelo golpista do aplicativo, Verônica tenha se preocupado em garantir que o futuro da filha seja diferente. O que funciona como alerta para a criação que os pais dão para as meninas. É preciso prestar atenção na formação de mulheres desde pequenas. 

Terá segunda temporada?

Good Morning, Verônica Soundtrack List - TUNEFLIX

Ainda não foi confirmada uma segunda temporada, mas a série termina apostando numa continuação. Se houver de fato, provavelmente veremos Verônica investigando a fundo a organização criminosa São Cosme e Damião e tentando eliminar o crime por sua própria conta. 

Dois tópicos que poderiam ter sido aprofundados e ficaram só na superfície na primeira temporada foi o passado do Brandão e o ritual de abate comandado por ele. Seria interessante ter mostrado flashbacks do que aconteceu até ele virar o serial killer violentador de mulher que a gente viu, explicar melhor como era a família dele e expor seus dias no orfanato. Mas, por outro lado, dá pra imaginar que os criadores da série devem ter ficado com medo de ao contar a história do personagem acabar por humanizá-lo demais para o público e assim, parecer que estão inocentando-o de seus crimes ou, fazer o espectador achar que suas ações são perdoáveis. Pra não correr esse risco toda a equipe teria que ter muita cautela e sensibilidade. 

Quanto ao ritual, faltou explicar sobre o que de fato aquilo se tratava e quais os objetivos e significados além do feminicídio óbvio. Que óleo era aquele que a “avó” (se é que era avó mesmo) de Brandão passava nele? Por que pendurar as mulheres como se fossem “anjos”? O que significava aqueles desenhos na parede? Como e quando Brandão começou a fazer aquilo? Alguém já fez o mesmo com ele? Alguém ensinou ele a fazer? E se sim, quem? Aquele ritual simboliza algum tipo de purificação? Enfim. Essa e outras perguntas ficaram sem respostas. 

Com exceção desses dois fatores negativos, Bom dia, Verônica é uma série cheia de pontos positivos, que merece ser vista e debatida. Toca em temas bem sensíveis e necessários e é ótimo ter uma produção como essa disponível num local de bastante acesso como o serviço de streaming da Netflix. 

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