Reboot | Remake | Remasterização | Prequel | Sequência | Spin-off – Qual a diferença?

Existem vários tipos de produções, seja em filmes, séries de TV, e várias outras mídias. E dentro desses tipos nós ouvimos termos que podem confundir muitos desavisados. Afinal como sabemos se um filme é remake ou remasterização? Qual a diferença de prequel e reboot? O que é um spin-off? Pensando nisso, decidi escrever esse artigo para tentar trazer uma explicação sobre esses termos. Então, vamos lá.

Sequência

Exterminador do Futuro 2 (1991)

Vamos começar pelo mais óbvio de todos. Uma sequência é exatamente isso, algo que se passa depois de uma história específica. Trata-se de uma continuação, uma nova história que segue os acontecimentos da trama anterior. Nenhum mistério quanto a isso.

Exemplos:

Exterminador do Futuro 2 (1991);

Vingadores Ultimato (2019);

Doze Homens e Outro Segredo (2004);

Harry Potter e a Câmara Secreta (2002).

Prequel

Trilogia O Hobbit (2012 – 2014)

Agora vamos para o completo oposto da sequência. Prequel é um termo em inglês que significa “prequela”, muitas vezes também chamado de “prelúdio”. Como já deu pra notar, um prequel é o oposto de sequência (sequel em inglês). Ou seja, enquanto a sequência é uma continuação, um prequel é uma história se se passa ANTES da história original.

Geralmente esse tipo de história é usada para contar as origens de algum personagem e/ou local, dar contexto e detalhes a elementos narrativos já apresentados, além de mostrar como as coisas eram antes da história original e como tudo se encaminhou para ser aquilo que nós conhecemos naquela trama.

Exemplos:

Star Wars Episódios 1 ao 3 (1999 – 2005 – prequel da trilogia lançada entre 1977 e 1983);

Hannibal: A Origem do Mal (2007 – prequel da trilogia Hannibal, lançada entre 1981 e 1999);

Trilogia O Hobbit (2012 – 2014 – prequel da trilogia O Senhor dos Anéis¸ lançada entre 2001 e 2003);

Série Ratchet (2020 – atualmente – série prequel do filme Um Estranho no Ninho, de 1976).

Remake

Sete Homens e um Destino (2016)

Quando um título é classificado como um remake, é porque ele é basicamente, uma produção já conhecida, que foi lançada em algum momento no passado, só que refeita do zero. A mesma trama, as vezes com alterações e as vezes não, com novo elenco, novos elementos, adaptada às novas tecnologias de produção, e por aí vai. O termo remake significa justamente isso, refazer ou refeito. Então, ao produzir um remake, os produtores estão literalmente refazendo algo que já tinha sido feito antes, porém adaptado para os padrões mais atuais.

Exemplos:

Scarface (1983 – remake do filme de 1932);

O Sacrifício (2006 – remake do filme Homem de Palha de 1973),

Sete Homens e um Destino (2016 – remake do filme de 1960, que por sua vez é um remake do filme Os Sete Samurais de 1954);

A Identidade Bourne (2002 – remake da série de TV de 1988).

Reboot

O Mundo Sombrio de Sabrina (2018 – 2020)

Esse termo é usado quando há a intenção de recomeçar uma franquia do zero, desconsiderando tudo o que veio antes. É muito fácil confundir reboot com remake¸ pois ao analisar ambas as propostas, elas são bem parecidas. De fato, um reboot pode muito bem começar através de um remake.

Porém, um remake não necessariamente desconsidera tudo o que foi feito antes. Existem ocasiões em que uma franquia possui inúmeros títulos, e o remake substitui apenas o título o qual ele se refere.

Por exemplo: na franquia de games Resident Evil, o primeiro game da franquia ganhou um remake em 2002, que tomou o lugar do jogo original na timeline da série, enquanto os demais jogos continuam valendo.

Já quando a intenção é rebootar uma franquia, a ideia é descartar tudo o que foi apresentado antes, e trazer um novo título reapresentando tudo, como se estivesse começando uma nova franquia.

Exemplos:

O Espetacular Homem Aranha (2014 – reboot da trilogia Homem Aranha lançada entre 2002 e 2007);

Planeta dos Macacos: A Origem (2011 – reboot da franquia de filmes Planeta dos Macacos, lançada entre 1968 e 1973);

Batman Begins (2005 – reboot dos filmes do Batman, lançados entre 1989 e 1997);

O Mundo Sombrio de Sabrina (2018 – 2020 – reboot da série Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, que passou entre 1996 e 2003).

Soft-Reboot | Revival

Cobra Kai (2018 – atualmente)

Ainda falando de reboots, tem uma espécie de “sub-classificação” dentro dele, que é o soft-reboot­. Quando um título é um soft-reboot, significa que ele não é um recomeço completo. Muitas vezes apenas alguns elementos narrativos são rebootados, o que permite a franquia continuar em frente desconsiderando apenas algumas características consideradas indesejadas dos títulos anteriores.

Produções que também podem ser consideradas soft-reboots são os famosos revivals, que seriam franquias antigas, que ganharam novas produções depois de muito tempo. Em casos assim, ocorre uma necessidade de adaptar a franquia para um novo público, pois não há garantias de que a nova audiência conhece os títulos anteriores.

Sendo assim, o novo capítulo da história é feito de uma forma que considera tudo o que já foi feito antes, mas ao mesmo tempo não torna obrigatório assistir os títulos antigos para poder entender a nova aventura.

Exemplos:

Jurassic World (2015 – soft-reboot da franquia Jurassic Park, iniciada em 1993);

Cobra Kai (2018 – atualmente – revival da franquia Karatê Kid, iniciada em 1984);

Star Trek (2009 – soft-reboot da franquia Star Trek, iniciada em 1966);

Dr. Who (2005 – atualmente – revival da série que começou em 1963).

Remasterização

Trilogia Star Wars (1977 – 1983)

Existem ocasiões que o filme/série/jogo/quadrinho é tão bom, tão memorável, que deixá-lo apenas no passado é considerado um desperdício. Ao mesmo tempo, fazer um remake não é considerado uma opção, pois essas histórias são consideradas insubstituíveis (na maioria das vezes, pelo menos).

Nesses casos, a melhor opção é produzir uma remasterização. Muitos confundem remasterização com remake, mas apesar do conceito ter suas semelhanças, um é bem diferente do outro. Como falei antes, remake é uma versão nova de uma história antiga, REFEITA DO ZERO, com novo elenco, novas tecnologias, mudanças pontuais na narrativa, e por aí vai.

Diferente de uma remasterização, que é exatamente O MESMO TÍTULO que já existia, com o mesmo elenco, mesma trama, mesma trilha sonora, mesmas limitações técnicas da época, tudo preservado, porém com uma “polida”. Ou seja, eles pegaram o que já existia e deram um “up” na qualidade visual e sonora.

É por isso que, por exemplo, vemos inúmeros filmes antigos, da época do VHS ou anteriores, em qualidade HD ou com tecnologia 3D. Em casos de filmes ainda mais antigos, da época da TV preta e branca, muitos ganham até mesmo uma remasterização colorida. Essa prática também é bastante usada no mercado de games hoje em dia.

Exemplos:

Trilogia original de Star Wars (1977 – 1983);

O Rei Leão (1994);

Jurassic Park (1993);

Três Homens em Conflito (1966).

Spin-off

Deadpool (2016)

Diversas franquias se tornam tão grandes, que diversos títulos paralelos são criados para acompanhar a narrativa. Esses títulos geralmente são chamados de spin-offs. Uma produção é considerada um spin-off quando ela é paralela aos títulos principais, não tornando obrigatório assistir um para entender o outro.

Em alguns casos, os spin-offs nem mesmo acompanham o mesmo cânone da franquia em geral, se passando em um universo alternativo, mas dividindo características que o encaixam como parte da mesma franquia. E mesmo que o spin-off seja considerado canônico, ou seja, parte da mesma timeline da trama principal, ele geralmente não é tratado como essencial para o entendimento geral da narrativa da franquia, sendo usado mais como um “complemento”, uma “experiência adicional”.

Dentro do mercado de games, por exemplo, os spin-offs são usados, muitas vezes, para experimentar novos gêneros dentro daquela franquia. Por exemplo, a série Mario Kart é um spin-off do gênero de corrida dos jogos de Super Mario, que são games de aventura e plataforma.

Em outros casos, muito comuns em séries de TV, um spin-off acaba se transformando em uma sub-franquia, quase que totalmente independente da original. Um exemplo disso é a franquia CSI, onde CSI: Miami, CSI: New York e CSI: Cyber surgiram a partir da série CSI: Investigação Criminal, e depois seguiram suas respectivas narrativas de forma independente, porém continuando sendo parte da mesma franquia.

Exemplos:

DC’s Legends of Tomorrow (2016 – atualmente – spin-off das séries Arrow e The Flash, existentes desde 2013 e 2014, respectivamente);

Persona (1996 – atualmente – spin-off da franquia de games Megami Tensei, iniciada em 1987);

Deadpool 1 & 2 (2016 – 2018 – spin-off dos filmes de X-Men, lançados entre 2000 e 2020);

O Escorpião Rei (2002 – spin-off da trilogia A Múmia, lançada entre 1999 e 2008).

Um pouco de tudo

Depois de todas essas explicações, acho interessante dizer que alguns títulos podem ter mais de uma classificação.

Por exemplo, um filme pode ser um prequel e um spin-off ao mesmo tempo, como é o caso, da franquia Animais Fantásticos em relação a Harry Potter. Spin-offs também podem ser sequências, como o caso da franquia Creed em relação à série Rocky. Remakes podem receber continuações independentes dos títulos anteriores, começando assim, um reboot da franquia. Foi assim, por exemplo, com Onze Homens e um Segredo.

Espero que essas explicações tenham esclarecido mais as diferenças dos tipos produções dentro do mercado de entretenimento. A princípio parece confuso, mas quando a gente entende, fica mais fácil de perceber as diferenças.

Mas acredito que, independente de ser uma sequência, prequel, remake, reboot¸ remasterização ou spin-off, se a produção for bem feita e proporcionar uma boa experiência, é o que vale. Mas saber o que é o que é bom até mesmo para medirmos o nosso nível de expectativa para com o título em questão. Assim, o hype é mantido, mas na dose certa. Por motivos como esse que acredito ser importante saber essas diferenças.

Artigo de Vini Miranda

Produtor de conteúdo, co-criador dos canais Tentáculo e Z Games, nerd fissurado.

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