Neil Gaiman, Matrix, X-men e transfobia

Na atual velocidade de informações e notícias, o que aconteceu de manhã já está velho na hora do almoço, e mandar um meme no grupo de whatsapp pode ser um motivo para ser zoado pois “old” para todos exceto quem enviou. Visto assim, parece que foi há várias vidas as tretas internéticas entre Neil Gaiman e brasileiros, Ellen Page se assumindo um homem trans e qualquer outra coisa com mais de 10 minutos.

Bem, não foi, e os dois casos se deram com diferença de horas. Em entrevista, Neil Gaiman criticou os brasileiros por não entenderem a existência da diversidade na sua obra, principalmente em Sandman, cuja série a Netflix está produzindo. Os “fãs” alegam que a versão televisiva (internética? streamica?) das oníricas histórias de Morpheus estaria repleta da agenda progressista com memes de gays e transexuais, no melhor estilo “nem li a história mas quero dar pitaco”, um clássico tupiniquim na aparente lei que força todos a darem sua opinião sobre tudo ou serem considerados “de fora”.

Neil Gaiman

Não precisa ser o mais profundo conhecedor desta obra do inglês para saber que ele toca nesses assuntos, de forma bem sensível e respeitosa. Uma das irmãs do Mestre dos Sonhos muda de gênero ao seu bel prazer, e uma das minhas histórias predileta do universo, “Morte, o Grande Momento da Vida”, tem como protagonista um casal de lésbicas. 

A HQ Sandman vai ganhar uma série na Netflix

Já no caso do agora ator Elliot Page a reação da galera “do contra” não foi tão ridícula quanto a do caso de Gaiman, porém o simbolismo da atitude do artista é pontual. 

Elliot Page

Numa era em que a luta pelos direitos LGBT ganha mais holofotes, e, portanto, mais resistência daqueles que acham que isso “não é certo”, a intérprete da Kitty Pride (personagem que é bissexuall nos quadrinhos) nos filmes do X-Men toma uma atitude corajosa. Bom, valentia ela sempre pareceu ter, inclusive quando recebia uma “cantada” ridícula do atual presidente, e auto-controle: quantos não explodiriam ao ouvir o que ela ouviu?

A luta pela igualdade e respeito de todas as minorias não começou ontem, hoje, e não vai terminar amanhã. Passos tímidos ganham terreno, mas talvez falte a necessidade de um salto maior, em todas as áreas, inclusive na cultural. Ano que vem, mais um filme contribuirá para essa batalha por direitos: Matrix 4, dirigido pelas agora irmãs Wachowski, salvo engano o primeiro blockbuster dirigido por mulheres transexuais. Inclusive, anos depois as diretoras admitiram que uma das personagens do primeiro filme, Switch, era mulher na realidade pós apocalíptica, e homem dentro do programa de ilusão criado pelas máquinas.

Irmãs Wachowski

Portanto, que venham mais! O diferente do padrão deve ser sempre bem-vindo, e abraçá-lo, compreendê-lo e respeitá-lo é o caminho para uma sociedade melhor. O medo de uma parcela da comunidade nerd não se aplica a mundos onde pessoas voam, controlam sonhos, passam pelas paredes, mas ser transgênero é algo “absurdo” e “irreal”.

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