Crítica | Aqueles que me desejam a morte: Angelina Jolie estrela filme de ação genérico

Rica, poderosa, uma das estrelas da próxima aposta da poderosa Disney, digo, Marvel, nos cinemas, Angelina Jolie encarou “Aqueles que me desejam a morte”, filme de Taylor Sheridan, mezzo thriller de ação, mezzo drama sobre uma bombeira que encontra uma criança que tem em seu poder provas de um grande esquema de corrupção genérico, e por isso é perseguida por assassinos nem um pouco sutis.

No caso, a palavra “genérico” é crucial para descrever o filme, onde a  personagem de Jolie, Hannah, é transferida da equipe de combate ao fogo nas florestas de Montana para um observatório onde irá monitorar focos de incêndio e reportar à base. Uma vez lá, cruza com o tal menino, Connor (Finn Little), um MacGuffin em forma de personagem.

Daí para frente, de forma linear, o roteiro tem uma continuidade, mas pouco desenvolvimento. O garoto serve para promover uma mudança na auto-piedade que a personagem de Jolie está afundada no começo após uma tragédia no ano anterior. Em certo momento, Hannah desiste de entrar na “disputa de desgraça” com Connor, que também tem um passado marcante, mas não existe muito além disso na carga dramática.

“Genérico” também é uma palavra que serve para as cenas de ação. Poucos momentos dão o senso de urgência e perigo, e a dupla de matadores é bastante incompetente. Mas do outro lado está o policial Ethen (Joe Bernthal, “O justiceiro”, “Walking Dead”), tio do menino, se esforçando para ser levado pelo roteiro sem nenhuma atitude, e que mesmo após ver que os criminosos estão na região e o próximo passo óbvio seria ir para a casa do único parente do seu alvo, não avisa a mulher grávida.

Um dos pontos positivos do filme é a iniciativa das personagens femininas, tanto a bombeira como a instrutora de sobrevivência Alisson (Medina Senghore), a esposa grávida do policial de Joe Bernthal, que ao contrário dos masculinos, que parecem entediados com suas obrigações de bandido e polícia, tomam a dianteira, se organizam e são o maior incômodo que os assassinos encontram para cumprir sua missão.

Antigamente, existiam filmes que iam direto para a locadora, com estúdios maiores com medo de perder dinheiro e pequenos sem distribuição e sem opção. No caso de “Aqueles que me desejam a morte”, a falta de lançamentos nas salas de cinema em razão da pandemia e o chamariz do nome de Jolie encabeçando o elenco talvez dê uma sobrevida, mas em tempos de TVs gigantes em casa, e risco de COVID e ingressos caros para ir ao cinema, a experiência de ir à rua para ver um filme que em outros tempos seria um razoável passatempo torna-se não convidativa por todos os motivos citados.

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