Crítica | Spirit: O Indomável – História leve e divertida, porém não é original

Quase 20 anos depois de seu lançamento, a popular animação da Dreamworks Spirit: O Corcel Indomável finalmente ganhou uma sequência. Mas era o que estávamos esperando?

O mais interessante é que essa sequência não é uma história original, mas sim uma adaptação. Em 2017 foi lançada na Netflix a série animada Spirit Riding Free, que contava a história do filho de Spirit, que recebe o mesmo nome do pai, ao lado de uma jovem menina chamada Lucky Prescott. Até o momento essa série animada possui 8 temporadas, além dos spin-offs Pequenas Grandes Aventuras e Academia de Equitação e um curta-metragem interativo. Spirit: O Indomável, nada mais é, do que uma adaptação recontando o início dessa aventura de uma forma menos serializada, ou seja, com início, meio e fim.

Trailer de Spirit: O Corcel Indomável

Trailer de Spirit Riding Free, série da Netflix

Na trama, a jovem Lucky vivia com seu avô na cidade grande durante os primeiros anos de sua vida, até que um incidente a fez ir para a casa do pai na pacata cidadezinha de Miradero. Lá, ela faz amizades, descobre mais sobre suas próprias origens e, principalmente, conhece Spirit, o cavalo indomável que foi capturado por bandidos que querem vendê-lo por um bom preço.

A história foca muito na relação entre Lucky e Spirit, e a jornada de autodescoberta da protagonista. Ao contrário do primeiro longa, onde o foco principal é o cavalo e os humanos são coadjuvantes, aqui a nossa atenção maior é na garota. Lucky é uma personagem carismática, e nos prende com sua personalidade forte e alegre, apesar das tragédias em sua vida. Ao lado dela, temos outros personagens que são igualmente carismáticos. O Spirit, apesar de não ser o mesmo do filme original, também tem presença. No primeiro longa, acompanhamos o ponto de vista do cavalo através de pensamentos e narração. Já esse novo título não apresenta esse recurso, talvez pelo fato de não ser o mesmo personagem e ele não ser o protagonista da história. Claro, tem o fator da fidelidade com a série animada, que também não utiliza dessa ferramenta narrativa.

A história é simples, sem muitas nuances, com profundidades leves e uma mensagem clara, o que não é um fator negativo considerando que estamos falando de uma animação voltada para as crianças. Os vilões são facilmente identificáveis, e os mocinhos também. As questões mais sérias, como a relação de Lucky com seu pai, os traumas vividos pela família, e claro, todo o plot envolvendo os cavalos sendo capturados pelos bandidos para serem vendidos, são tratados com seriedade, mas ao mesmo tempo com leveza, fortalecendo a mensagem otimista que o filme quer transmitir. E por falar em mensagem, temos aqui uma história que foca na construção de confiança. A relação entre Lucky e Spirit, principalmente, é desenvolvida a partir disso.

Spirit e Lucky

No sentido de adaptação, o longa tem claras diferenças em relação à versão serializada. Alguns personagens estão diferentes em aparência e/ou personalidade, outros foram completamente cortados na versão cinematográfica. A relação de alguns dos que permaneceram foram alteradas, uns de forma leve, outros mais drásticos. A história em si, como dito, é uma adaptação do início da série, porém em determinado momento ela vai tomando um rumo próprio, se distanciando do material original.

Sendo assim, o filme é totalmente independente de maneira geral. Você não é obrigado a ver o primeiro longa de 2002, nem a série da Netflix, para entender o que está acontecendo aqui. Nem mesmo o fato de que esse Spirit é o filho do Spirit da história original é contado nessa nova aventura, o que pode ser confuso para algumas pessoas. Se por um lado isso pode ser uma decepção para os fãs da animação clássica, isso pode ajudar a introduzir a franquia para novos fãs e, quem sabe, eles podem correr atrás das origens do Corcel Indomável.

Leve, divertida, autosuficiente, descontraída. Eu poderia definir Spirit: O Indomável assim. Apesar de não ser revolucionária, é uma ótima opção para quem busca algo bom de se assistir para passar o tempo em alguma tarde com a família, principalmente se tiver filhos. E se quiser ver/relembrar o que veio antes, as histórias anteriores estão disponíveis na Netflix.

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