BBB: O único lugar onde os humilhados são sempre eZAUtados

O Big Brother Brasil já está em sua 21ª edição e mais uma vez a história se repete (e os participantes não aprendem a lição). O BBB é o único lugar onde os humilhados sempre são exaltados. Quanto mais alguém é excluído, ridicularizado, subestimado e menosprezado, mais chance esse alguém tem de levar R$1,5 milhão pra casa. É fato!

Sem entrar no mérito de tal participante ter sido realmente perseguido ou não, afinal esse post tem como objetivo ser imparcial, uma coisa é clara: a partir do momento que o público o enxerga como o rejeitado da vez, ele faz de tudo para transformá-lo num vencedor e assim, se opor ao que os outros concorrentes (visto como carrascos) desejam. 

Na edição atual, se o participante Lucas Penteado não tivesse desistido do programa, muito provavelmente (quase óbvio), que ele iria pra final disputar o prêmio arduamente com Juliette Freire. Seria um duelo acirrado, uma batalha de gigantes, e não me arrisco a dizer quem venceria. Porém, afirmo com toda certeza que o primeiro e segundo lugar, independente da ordem, seriam deles sem espaço para dúvidas. Nenhum outro participante teria força o suficiente para derrubá-los do pódio (nem mesmo Gil). 

Por que? É fácil. Ambos caíram na zona agridoce da dó, despertando a pena e empatia do telespectador, simultaneamente. E se tem uma trama que o brasileiro se regozija (como diria Gil do Vigor) em assistir é a do fracassado renascendo das cinzas e eliminando seus algozes um por um, pra provar que todos estavam enganados sobre ele. Talvez o povo se identifique com esse tipo de “personagem” e torça pra ele vencer como forma de ter seus sonhos realizados através dele. Como se a vitória de um “rejeitado” o fizesse acreditar que ele também pode ter um final feliz. 

Num país com tantas mazelas sociais e um complexo de inferioridade tão enraizado, não é difícil imaginar porque a narrativa de superação do “loser” tende a ser a preferida da maioria. SE NA VIDA REAL AS CHANCES DOS HUMILHADOS SEREM EXALTADOS É MÍNIMA, NO BBB, ISSO NÃO É SÓ POSSÍVEL, COMO TAMBÉM ACONTECE SEMPRE. Desse modo, o Big Brother Brasil pode servir até como uma espécie de consolo e uma luz no fim do túnel pra muita gente. O que explicaria um dos motivos do sucesso gigantesco do reality. 

Alguns podem pensar “ah mas a pessoa só foi excluída lá no início do programa. As coisas mudaram depois”.  Tudo bem, é verdade. Pode ter mudado mesmo.  Contudo, no BBB, assim como na vida, “O passado não reconhece seu lugar, está sempre presente”. O que prevalece é a trajetória de cada um, A JORNADA (como já dizia Lumena Aleluia). TOOODO o percurso que os participantes traçaram pra chegar até ali, desde o primeiro dia de confinamento (às vezes até antes, se for contar com o vídeo de apresentação) até o momento atual, é CRUCIAL para definir qual narrativa cada um quer contar e qual o público acredita ser a mais interessante de comprar. 

Afinal de contas, além do BBB ser o único lugar onde os humilhados sempre são exaltados, é também o único lugar onde brasileiro não tem memória curta.

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