O que está acontecendo com o BBB? 

Arthur Aguiar é o campeão do BBB22. Que loucura hein, Brasil! Que loucura!

O início do BBB22 foi marcado por uma postura anti jogo geral. Era o BBB do amor. Todo mundo amigo de todo mundo, cantando música de louvor, dando abraço em grupo no eliminado da semana, perguntando pro apresentador se podia vetar a si mesmo das provas, jogando voto fora, e repudiando o comportamento do participante Rodrigo Mussi justamente pela necessidade que ele tinha em falar de jogo o tempo todo. 

Aqui fora essa tentativa de fazer o BBB do amor irritou o público. Alguns diziam que não era pra isso que assistem o programa, sentiam falta de treta e jogo em si. Outros diziam ser até uma falta de respeito com quem sempre quis participar do programa e não teve a chance, afinal, a galera selecionada estava se recusando a jogar o jogo e parecia estar fazendo pouco caso da oportunidade que tinham em mãos. “Essa edição vai flopar que nem a 19”, dizia o twitter. 

Ninguém aguentava mais ouvir eles cantando a música do Thiaguinho (se duvidar, até ele estava de saco cheio): ” A gente não vai errar não…”. No primeiro discurso do Tadeu, ele pergunta se é normal numa casa com 20 pessoas todo mundo gostar de todo mundo. Pode até acontecer, mas é difícil. Numa casa com pessoas diferentes em todos os sentidos, convivendo 24 horas, a probabilidade de todo mundo realmente ter se dado bem é menor do que na verdade as pessoas só estarem com medo de se comprometer mesmo. 

E aí surge a rivalidade Jade x Arthur e muda tudo. Acabou o BBB do amor. A treta finalmente começou. A Jade é tirada como a primeira vilã da edição e a narrativa da temporada finalmente começa. Arthur é o mocinho injustiçado que busca uma chance de se redimir pelos erros cometidos aqui fora, perseguido pela “cruel” líder Jade Picon, que ainda “traiu sua confiança” e não cumpriu o que o “prometeu” (não é irônico LOGO ELE falando de traição?).  Olha que lindo! A gente já sabe onde essa história termina, né? Com o “perseguido” levando o prêmio final e se tornando o queridinho do público. 

E assim Arthur Aguiar se tornou o pãozinho do Brasil. Num BBB que era visto como colônia de férias, Arthur quis jogar. Ponto pra ele! Deu o que o público queria. Mas não era suficiente apenas jogar, ele precisava ser um jogador solitário, sem aliados, pra conquistar o apoio da maioria. Mais um ponto pra ele! O público ama abraçar o excluído e não importa se essa exclusão é real ou se foi criada pelo próprio participante pra conseguir o apoio do povo. Se ele consegue fazer a maioria das pessoas acreditarem nessa narrativa, a torcida é dele. No final, se você for um bom ator e conseguir fazer o público comprar a história que você está propondo pra ele assistir, a vitória é certa. Vai cair um milhão e meio na sua conta e não tem nada nem ninguém que tire isso de você. Já pode se considerar campeão. 

Juntando esses fatores com o fator Jade, pronto! Arthur tinha tudo para ser o favorito ao prêmio. Muito graças a ela, vamos combinar. Como disse o Bruno de Lucas, ele tinha que dar pelo menos 10% do prêmio pra ela. Seria justo. 

Muita gente que o defende diz que não importa o que ele fez antes do BBB, só importa o jogo e nada mais. O público quer ver jogo e torcer por jogadores, diz a padaria. 

Faz sentido num BBB que começou com os participantes se recusando a jogar, o telespectador gostar daqueles que deixam claro que estão ali pra isso e agem de acordo com estratégias sem botar o coração na frente do jogo. É compreensível. Pode até ser visto como uma revolta do público ao início do programa. 

Mas, e o quesito personalidade, carisma, autenticidade, opiniões, comportamento, convivência,superação, relações, trajetória construída lá dentro (e olha que nem estou falando daqui de fora não. To falando de lá de dentro mesmo)? Nada disso importa, Brasil?  Que jogo vazio é esse que o BBB se tornou? 

Responda COM TODA SINCERIDADE, é só pelo jogo que você assiste BBB? Não tem nada mais ali que te atraia? Pensa bem. 

É claro que o BBB também é um jogo. Não é só um programa de entretenimento, como o Eliezer disse que pensava que era quando entrou. Mas, é um jogo mais de humanas do que de exatas. 

É melhor acreditar que o Arthur venceu mais pela narrativa de vítima que construiu do que só por ser um jogador. Até porque, se for só por isso, era melhor ter dado o prêmio pro Gustavo, já que além de jogar ele também criou relações verdadeiras ali dentro. Além de ter mais carisma, é claro. 

Continuo achando que o BBB vai muito além de ganhar provas, saber fazer a melhor estratégia, fugir de paredões e eliminar os adversários. Isso tudo também é importante, mas o que adianta fazer o melhor jogo lá dentro se o público não apoiar suas jogadas e não simpatizar com você? Adianta focar em conquistar o pessoal da casa se não conseguir conquistar o público? 

Os apresentadores dizem “Fuja do paredão!“. Mas se quem assiste não for com a sua cara, você pode até fugir de todos os paredões e chegar até a final sem passar por nenhum, mas chegando lá você não ganha. Vai ficar em terceiro lugar, mas não ganha. 

E ao mesmo tempo, se você for o favorito do público, pode ser indicado em todos os paredões que tiver sem correr risco nenhum de ser eliminado. O público vai te salvar em todos. 

O mesmo serve pras provas. Ganhar prova é bom, mas ser bom nisso não garante o prêmio final. Se o público gostar de você, pouco importa se você ganha provas ou não. Só lembrar da Juliette, que só ganhou uma prova do líder e logo a última da edição, e era a favorita da maioria desde as primeiras semanas de programa.  

Então, ao invés de investir tanto tempo e energia em fugir do paredão, não seria mais útil focar em construir uma narrativa (e em ser alguém)  interessante de assistir para conquistar o público? Essa sim é uma estratégia que vai garantir de verdade sua sobrevivência na casa. E de forma mais segura e permanente. 

Fugir do paredão pode funcionar a curto e médio prazo, mas isolada e sem o apoio do público pode não ser uma estratégia confiável e duradoura. 

Arthur foi esperto em dizer que apesar de ter falado que joga sozinho, não está, pois sabe que o público está junto com ele. Ele colocou em palavras o que a audiência sempre procura pra tornar alguém vencedor, ou seja, alguém que se preocupa mais em chamar o telespectador pra jogar junto do que em jogar com o pessoal da casa. Ponto pra ele mais uma vez! Disse o que o povo queria ouvir e conseguiu montar sua padaria, que acredita e defende com unhas e dentes sua mudança. 

Se esse descancelamento vai durar não temos como saber, vai depender dele. Só nos resta torcer para que a edição 22 do BBB seja só um capítulo que deu errado ao invés do início de uma nova era de BBBs onde o público não busca mais se emocionar com aquilo que assiste e acompanha BBB como quem vê um campeonato de futebol. 

Que a maioria dos fãs do BBB não se transformem num Arthur Aguiar! 

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